terça-feira, 22 de setembro de 2015

Barroco Br

Barroco no Brasil

  O Barroco foi introduzido no Brasil por intermédio dos jesuítas. Inicialmente, no final do século XVI, tratava-se de um movimento apenas destinado à catequização. A partir do século XVII, o Barroco passa a se expandir para os centros de produção açucareira, especialmente na Bahia, por meio das igrejas. Assim, a função da igreja era ensinar o caminho da religiosidade e da moral a uma população que vivia desregradamente.
  Nos séculos XVII e XVIII não havia ainda condições para a formação de uma consciência literária brasileira. A vida social no país era organizada em função de pequenos núcleos econômicos, não existindo efetivamente um público leitor para as obras literárias, o que só viria a ocorrer no século XIX. Por esse motivo, fala-se apenas em autores brasileiros com características barrocas, influenciados por fontes estrangeiras (portuguesa e espanhola), mas que não chegaram a constituir um movimento propriamente dito.  Nesse contexto, merecem destaque a poesia de Gregório de Matos Guerra e a prosa do padre Antônio Vieira representada pelos seus sermões.
  Didaticamente, o Barroco brasileiro tem seu marco inicial em 1601, com a publicação do poema épico Prosopopeia, de Bento Teixeira.

  Conheça a seguir os trechos selecionados:

Prosopopeia

         
I

Cantem Poetas o Poder Romano,
Sobmetendo Nações ao jugo duro;
O Mantuano pinte o Rei Troiano,
Descendo à confusão do Reino escuro;
Que eu canto um Albuquerque soberano,
Da Fé, da cara Pátria firme muro,
Cujo valor e ser, que o Ceo lhe inspira,
Pode estancar a Lácia e Grega lira.

II

As Délficas irmãs chamar não quero,
que tal invocação é vão estudo;
Aquele chamo só, de quem espero
A vida que se espera em fim de tudo.
Ele fará meu Verso tão sincero,
Quanto fora sem ele tosco e rudo,
Que per rezão negar não deve o menos
Quem deu o mais a míseros terrenos.

  Esse poema, além de traçar elogios aos primeiros donatários da capitania de Pernambuco, narra o naufrágio sofrido por um deles, o donatário Jorge Albuquerque Coelho. Apesar de os críticos o considerarem de pouco valor literário, o texto tem seu valor histórico pois foi a primeira obra do Barroco brasileiro e o marco inicial do primeiro estilo de época a surgir no Brasil.

Literatura barroca no Brasil

  Na época em que o Brasil, recentemente descoberto, não apresentava uma produção cultural de significância, a literatura barroca foi introduzida pelos descobridores portugueses. Desta forma, as obras produzidas no país eram apenas um reflexo das escolas literárias de Portugal e, por isso, a produção escrita nesta época não é considerada como literatura genuína brasileira. Os livros e documentos do período são apenas uma absorção do estilo português na era do colonialismo. As características da literatura barroca no Brasil são o rebuscamento da linguagem e a ambiguidade. Além disso, figuras de linguagem como a sinestesia, o paradoxo e a antítese são amplamente utilizadas pelos autores.
  O movimento literário Barroco no país é, essencialmente, uma forma de expressar o conflito entre o humanismo da renascença e a tentativa de reparo de uma religiosidade medieval, entre a razão e a fé, uma luta entre o não espiritual e o espiritual.
  Com a falta de condições, no território brasileiro, para a produção de obras literárias genuinamente nacionais, durante os séculos XVII e XVIII, existiam poucas pessoas letradas que faziam reuniões nas quais apresentavam suas ideias e textos umas às outras. Geralmente, eram ensaios, artigos ou poesias. Outro problema era que as atividades culturais resumiam-se a alguns núcleos urbanos de pequena extensão. A importância da literatura barroca está na formação do que viria no século XIX, época de formação de um público leitor que fez possível a continuidade das obras.
  Neste panorama, em que a vida cultural ainda não tinha se desenvolvido, alguns críticos literários indicam que não existia um movimento barroco brasileiro. Os principais escritores citados como ícones deste momento, nos quais se percebe nítidas influências dos artistas espanhóis e portugueses, produziram no Brasil obras com elementos barrocos. Entre eles, os autores mais conhecidos são o padre Antônio Vieira (sermões), Gregório de Matos (poesias), Bento Teixeira (Prosopopeia) e Manuel Botelho de Oliveira (Música do Parnaso). Destas obras, Prosopopeia é o marco do início da literatura barroca no Brasil.
  Sem ter nenhum livro publicado enquanto vivo, Gregório de Matos ficou famoso pelos manuscritos encontrados, que acabaram sendo lançados em várias coletâneas. Sua obra poética foi extraída destes livretos, dos quais não se sabe se todas as poesias eram de sua autoria. No caso do Padre Antônio Vieira, a maior contribuição para o barroco produzido no Brasil foram sermões como Sermão de Santo António aos Peixes, onde trata o tema da escravidão dos índios, Sermão da Sexagésima, em que fala sobre as formas de pregar e Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda, sobre o domínio holandês na Bahia.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Barroco Pt

O que é barroco?

  Conhecido como barroco, ou seiscentismo, é o período onde as primeiras manifestações literárias genuinamente brasileiras ocorreram no Brasil Colônia, influenciada pelo barroco europeu vindo das metrópoles. O termo denomina todas as manifestações artísticas dos anos 1600 e início dos anos 1700. Além da literatura, estendeu-se também a música, a pintura, a escultura e a arquitetura.

Arquitetura barroca

A arquitetura barroca é caracterizada pela complexidade na construção do espaço e pela busca de efeitos impactantes e teatrais, uma preferência por plantas axiais ou centralizadas, pelo uso de contrastes entre cheios e vazios, entre formas convexas e côncavas, pela exploração de efeitos dramáticos de luz e sombra, e pela integração entre a arquitetura e a pintura, a escultura e as artes decorativas em geral.
  O exemplo precursor da arquitetura barroca geralmente é apontado na Igreja de Jesus em Roma¹, cujo projeto foi de Giacomo Vignola e a fachada e a cúpula de Giacomo della Porta. Vignola partiu de modelos clássicos estabelecidos pelo Renascimento, que por sua vez se inspiraram na tradição arquitetônica da Grécia e da Roma antigas. As diferenças introduzidas por ele foram a supressão do transepto, a ênfase na axialidade e o encurtamento da nave, e procurou obter uma acústica interna eficaz. A fachada se tornou um modelo para as gerações futuras de igrejas jesuítas, com pilastras duplas sustentando um frontão no primeiro nível, e um outro frontão, maior, coroando toda a composição. O interior era originalmente despojado, e seu aspecto atual é resultado de decorações no final do século XVII, destacando-se um grande painel pintado no teto com o recurso da arquitetura ilusionística.

Barroco português

O barroco português desenvoldeu-se entre 1580 e 1756, época em que Portugal estava em profunda crise econômica e social devido ao domínio da monarquia espanhola.

Padre Antônio Vieira

  O melhor da produção barroca portuguesa encontra-se na obra do padre Antônio Vieira - político e pregador de inteligência e sensibilidade acuradas, que sintetizou como poucos os conflitos do homem barroco.
  Chamado por Fernando Pessoa de "Imperador da Língua Portuguesa", Vieira explora em seus sermões o melhor da retórica de sua época. Orador hábil e virtuoso, é também claro, engenhoso, imaginativo e convincente.
  Os sermões constituem o principal da obra de Vieira. Eles trazem a essência do estilo barroco: a tentativa de promover uma síntese entre matéria e espírito. Nos sermões, Vieira busca cativar o ouvinte despertando sua consciência e convidando-o a pensar e agir.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Trovadorismo

O que é Trovadorismo?

  Trovadorismo é um estilo de época, ocorrido durante a idade media. Sendo que esta foi marcada por dois períodos: Alta Média Idade (século V ao X|), e Baixa Idade Média (século X|| ao XV).
  Durante esta primeira fase medieval, também conhecida como "época das trevas", todo o sistema econômico, politico e social, era voltado para a agricultura de subsistência, regime denominado de feudalismo.
  Podemos dizer que o trovadorismo foi a primeira manifestação literária da lingua portuguesa.
  O trovadorismo surgiu no mesmo período em que Portugal começou a despontar como nação independente, no século X||; porém, as suas origens deram-se na Occitânia, de onde se espalhou por quase toda a Europa.
  O marco inicial do Trovadorismo é a “Cantiga da Ribeirinha” (conhecida também como “Cantiga da Garvaia”), escrita por Paio Soares de Taveirós no ano de 1189. Esta fase da literatura portuguesa vai até o ano de 1418, quando começa o Quinhentismo.

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Ribeirinha

No mundo non me sei pareiha,Mentre me for como me vai,
Ca já moiro por vós – e ai!
Mia senhor branca e vermelha,Queredes que vos retraia
Quando vos eu vi em saia!
Mau dia me levantei,
Que vos enton non vi fea!
E, mia senhor,
dês aquel di’, ai!
Me foi a mim mui mal,
E vós, filha de don PaaiMoniz,
e bem vos semelha
D’haver eu por vós guarvaia,Pois, eu, mia senhor, d’alfaia
Nunca de vós houve nen heiValia d’ua Correa.
No mundo não conheço quem se compare
A mim enquanto eu viver como vivo,
Pois eu moro por vós – ai!
Pálida senhora de face rosada,Quereis que eu vos retrate
Quando eu vos vi sem manto!
Infeliz o dia em que acordei,Que então eu vos vi linda!
E, minha senhora,
desde aquele dia, ai!
As coisas ficaram mal para mim,E vós, filha de Dom PaioMoniz, tendes a impressão de
Que eu possuo roupa luxuosa para vós,
Pois, eu, minha senhora, de presente
Nunca tive de vós nem terei
O mimo de uma correia.
(Paio Soares de Taveirós)
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Os Trovadores

Na lírica medieval, os trovadores eram os artistas de origem nobre, que compunham e cantavam, com o acompanhamento de instrumentos musicais, as cantigas (poesias cantadas). Estas cantigas eram manuscritas e reunidas em livros, conhecidos como Cancioneiros. Temos conhecimento de apenas três Cancioneiros. São eles: “Cancioneiro da Biblioteca”, “Cancioneiro da Ajuda” e “Cancioneiro da Vaticana”.

Os trovadores de maior destaque na lírica galego-portuguesa são: Dom Duarte, Dom Dinis, Paio Soares de Taveirós, João Garcia de Guilhade, Aires Nunes e Meendinho.

No trovadorismo galego-português, as cantigas são divididas em: Satíricas (Cantigas de Maldizer e Cantigas de Escárnio) e Líricas (Cantigas de Amor e Cantigas de Amigo).

Cantigas de Maldizer: através delas, os trovadores faziam sátiras diretas, chegando muitas vezes a agressões verbais. Em algumas situações eram utilizados palavrões. O nome da pessoa satirizada podia aparecer explicitamente na cantiga ou não.

Cantigas de Escárnio: nestas cantigas o nome da pessoa satirizada não aparecia. As sátiras eram feitas de forma indireta, utilizando-se de duplos sentidos.

Cantigas de Amor: neste tipo de cantiga o trovador destaca todas as qualidades da mulher amada, colocando-se numa posição inferior (de vassalo) a ela. O tema mais comum é o amor não correspondido. As cantigas de amor reproduzem o sistema hierárquico na época do feudalismo, pois o trovador passa a ser o vassalo da amada (suserana) e espera receber um benefício em troca de seus “serviços” (as trovas, o amor dispensado, sofrimento pelo amor não correspondido).

Cantigas de Amigo: enquanto nas Cantigas de Amor o eu-lírico é um homem, nas de Amigo é uma mulher (embora os escritores fossem homens). A palavra amigo nestas cantigas tem o significado de namorado. O tema principal é a lamentação da mulher pela falta do amado.

Principais Trovadores

Os principais trovadores foram:

D. Dinis, importante pela extensão e qualidade de sua obra (escreveu cerca de 140 cantigas líricas e satíricas), João Garcia de Guilhade (deixou 54 composições líricas e satíricas, e foi dos mais originais trovadores do século XIII), Martim Codax (trovador da época de Afonso III, legou 7 cantigas de amigo, as quais têm o mérito de constituir as únicas peças da lírica trovadoresca cuja pauta musical permaneceu até hoje), Afonso Sanches (filho de D. Dinis), João Zorro, Aires Nunes, Aires Corpancho, Nuno Fernandes Torneol, Bernardo Bonaval, paio Gomes Charinho, e outros.